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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Deus me livre... ou não

Por:  Rodrigo de Moraes


Deus me livre de uma religião onde eu precise Dele pra viver minha vida.

Assim como um pai prepara o filho pra ele o mundo, Deus me prepara, não serei pra sempre uma criança precisando de regras e castigos pra poder fazer o que é bom.

Não quero um Deus que adestra pessoas num certo modo de vida, meu Deus não usa “sucesso” como um biscoitinho de incentivo.
Não oro pedindo nada a Deus, não faço sacrifícios por Ele ou por nada dado por Ele, Deus prefere me ver e me acompanhar na vida de um modo leve. Onde tenho minhas conquistas e posso brindar com Ele e com meus amigos essas conquistas .

Meu Deus tem um rosto sorridente. O dedo que ele aponta é pra tirar uma da minha cara, pra me divertir e me fazer rir com Ele, sim! Acredito num Deus com senso de humor. 

Chega de crer que se eu não for uma boa pessoa vou pro inferno quando morrer, e nem que se eu for uma boa pessoa vou pro céu, prefiro crer que ser uma boa pessoa vale a pena em vida, e ser uma má pessoa faz da minha vida um inferno.

Se a religião sempre infantilizar pessoas, prefiro não seguir nenhuma religião. Hoje vejo nas igrejas um monte de criancinha pedindo pro pai segurar a bicicleta pra não cair... 
Não deve ser difícil dizer pro pai parar de empurrar sua bicicleta, simplesmente por querer pedalar e equilibrar-se por si só.
Já Passou da hora de algumas pessoas começarem a confiar em seus próprios valores. Chega de pedir. Vamos caminhar com nossas próprias pernas.
Chega de arrumar briga na escola e chamar o irmão mais velho pra ir lá resolver... Deus tem um chamado pra Você, e esse “Chamado” pode ser nomeado como Responsabilidade, tanto consigo quanto com os que estão ao seu redor.

Quer mudança de vida? Bacana! Está certo em querer, mas isso começa por você, por sua atitude com relação à vida, não creio em pensamento positivo, creio em atitudes.
Então pare de pedir mudança, ficar correndo pro Pai pra ele mudar sua vida não adianta, pois você já tem tamanho e conhecimento o suficiente pra começar sua jornada. inclusive já passou da hora.

O que falta pra começar?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Chega de Crentisse.

Por: Rodrigo de Moraes Pinheiro
postado originalmente em: http://menteintrinseca.blogspot.com/2011/10/chega-de-crentisse.html


Deixo de ser crente.

Não abandonei minha crença, só não quero ser mais enquadrado neste termo.
Começo a dar razão aos ateus.
A Religião é o ópio do povo.
Quanta gente hipócrita no ambiente crente.
Não pode beber álcool (nem com moderação), falar palavrão, fazer tatuagens, piercings, não se pode querer, ter vontade, não podemos ser humanos, é preciso ser santo.
Não se pode sentir raiva, pois não provém de Deus, ciúme, inveja, são sentimentos ruins... Concordo que sejam, mas são sentimentos humanos, e sentimos isso, e tudo que sentimos deve ser levado em conta.
Não vou me tornar o que não sou para ser aceito por alguém, nem por Deus. A essência humana em si não é ruim, não acredito nisso! Temos tantos lados bons quanto temos lados ruins, nós somos uma mistura, porque não podemos viver essa mistura? Ter nossos bons e maus momentos sem culpar Deus ou o Diabo?
Cansei de ter que esconder a raiva que tenho por certas pessoas, de ter que ser o bonzinho pra ser aceito por esse cristo...

Meu Cristo é diferente desse, sua cruz não me traz culpa, não me faz ter medo de ir para o inferno.
Sua cruz pra mim é luz e não sombra. É guia e não castigo, eu vou atrás dela, e não ela atrás de mim.
Cristo viveu com o lado bom da sua HUMANIDADE, mas não quer dizer que não sentiu coisas más, Cristo foi mais humano do que divino, isso é bonito. Porque eu não posso ser mais humano? Porque preciso me tornar santo, se nem Jesus tentou isso?
Não me venham com versículos justificar isso. A vida de Cristo Justifica qualquer palavra. A vida é mais importante que a palavra, e o discurso de gente imaculada por fora e podre por dentro me dá nojo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Bom Casal Gay (Inspirado na parábola do bom samaritano e no texto “O Bom Travesti”, de Rubem Alves)



E numa tarde de domingo, vários pastores e líderes evangélicos e católicos, também apoiados pela ala “cristã” da Câmara e do Senado, encostaram Jesus na parede e lhe fizeram a pergunta crucial: Diga-nos logo quem são aqueles que fazem a Tua vontade e amam o próximo segundo a Tua verdade?

E Jesus então lhes contou uma história:

Um bebê foi abandonado por seus pais num valão que ficava entre duas igrejas: uma catedral católica, tradicional na cidade por sua beleza e imponência arquitetônica e um mega-templo evangélico, repleto de carros do ano à porta, cujo pastor ostentava seus muitos dotes financeiros em ternos de corte impecável e carros importados de causar inveja aos maiores empresários da cidade.

O pastor e sua esposa iam para o culto e ao pararem num sinal de trânsito perceberam o bebê jogado no valão, abriram o vidro blindado do seu carro e ouviram o choro da criança. Repreenderam o demônio que havia na “mãe tão desnaturada” que havia abandonado a criança ali, e já pensaram em organizar a Marcha Profética pelo fim do abandono de crianças. No entanto, devido às muitas viagens “em nome de Deus” e também do gasto que já tinham de condomínio e manutenção dos carros importados, não poderiam assumir o risco de levarem aquela criança pra casa, pois além dos gastos que lhe trariam, não sabiam sua procedência e se havia sobre ela qualquer espécie de maldição.

O sinal abriu, e partiram, orando por aquela situação.

Logo depois, no mesmo sinal passou um casal de católicos fervorosos. Há 20 anos lideravam movimentos de Encontros de Casais com Cristo, além do marido ser atuante nos Cursilhos de Cristandade. Viram aquela cena e choraram ao ouvirem o choro da criança abandonada. Falaram sobre as diversas Campanhas da Fraternidade, de como aquele quadro deveria ser mudado, perguntaram entre si pela turma da Teologia da Libertação, que não aparecia naquela hora e lamentaram não poder levar o bebê, devido ao fato de já terem gastos excessivos com seus cães labradores, ganhadores de concursos regionais. Mas saíram dali dispostos a participarem da próxima Marcha pela Família, organizados pelos setores de defesa da vida da sua igreja.

Já no fim da tarde, passava por ali dois rapazes, que comemoravam a recente decisão do STF em favor da união civil homoafetiva. Brindavam o fato de poderem legalizar a sua situação, já que há 8 anos viviam juntos. Mesmo em meio à música alta que tocava no carro, ouviram um choro ao longe, ao pararem no sinal vermelho. Abaixaram o som e viram a criança que soluçava e já quase não tinha forças, abandonada ali ao relento, desde a manhã...

Choraram muito. Pararam o carro, desceram e pegaram o pequenino no colo. Seus corações arderam de amor por aquela vida tão frágil e indefesa que decidiram leva-la para o apartamento em que moravam, que passava por uma reforma, e decidiram deixar para depois a conclusão da sala-de-estar e transformaram o espaço no quarto do bebê. Deram-lhe o nome de  Daniel, que um dos dois lembrara significar “Deus é meu juiz”, e o bebê agora sorria, ao tomar seu primeiro banho, nos braços dos seus novos pais...

E Jesus, encarando os olhares furiosos daqueles que estavam ali lutando pela honra da família cristã, perguntou:

- Qual destes casais provocou um sorriso de aprovação na face amigável de Deus?

Por: Jose Barbosa Jr

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os problemas do gueto gospel e a graça de Jesus

Por: Tom Fernandes


E lá vou eu escrever sobre o gueto gospel novamente. Mas a culpa não é minha. Eu fujo da polêmica, mas ela dá a volta no quarteirão e me espera sorridente. Na semana passada, por ocasião da votação no STF sobre a validade das relações homoafetivas, minha timeline no twitter virou um verdadeiro tiroteio em cabaré. Não levando a sério os argumentos dos irmões mais exaltados, levantei alguns dos problemas do gueto gospel. Cá abaixo, reproduzo os mais relevantes [minha opinião, baby]:
O problema do meio gospel é que…
Se eu Caio, Fábio me chama de bundão. [ok, comecei com um chiste infame, mas convenhamos, o Caio anda muito truão ultimamente]
Deixam a gente Diante do Trono, mas esquecem de dar descarga.
Depois do Jece, qualquer Valadão acha que pode ser celebridade.
Ninguém quer terreno usado no céu, o povo só aceita Terra Nova. (via @_gu5tavo_)
Preferem dentes de ouro a ensinar hábitos de higiene oral.
Vivem cantando ‘faz chover’ e não param de reclamar que o fogo não acende.
Pastores falam que fulano é desviado, ele olha em volta e não acha os outros nove.
O Inri Cristo ainda é um dos caras mais sérios entre eles.
Fazem de conta que oferta/cachê e culto/show não são a mesma coisa.
As trinta moedas são o mesmo preço pago hoje em dia pra se ir a qualquer show gospel.
Você sai de dentro do gueto, mas ele não sai de dentro de você.
O inferno islâmico é mais chique. [Fala sério, um inferno todo revestido com mármore é bem mais chique do que um com um laguinho fedendo enxofre]
Acham que, mudando o nome das coisas, as coisas serão diferentes.
Acham que o Velho Testamento abona qualquer maldade cometida em nomididels contra ‘seus inimigos’.
Chamam o patrão de Faraó do Egito e acham que o despertador nunca toca por cilada do diabo.
Acham que o adocicado é divino e o amargo é diabólico, ninguém come jiló e diabetes reina. [Metáfora alimentar interessantíssima. Lógico que você entendeu]
[neste ponto, uma querida amiga disse que concordava em tudo, mas se preocupava com o tom amargo, continuei com um pouco mais de fel]
Acham que o diabo toma a vaga de trabalho q era sua, mas é deus quem tira do outro pra eles.
Acham que evangelismo é vale-tudo, até chute no saco e dedo nos zóio.
Acham que devem orar pelo necessitado só pra que ele pare de ser necessitado na sua porta.
Querem o poder secular que Jesus disse pra abrirmos mão.
Evangelistas, mestres e pastores foram trocados por astros, celebridades e cantores.
Cancelaram a carteirinha de Jesus e proibiram seu acesso ao clubinho.
O púlpito virou palco e sacristia, camarim. (via @gondimricardo)
[aqui, termino a sequência de comentários sobre o ambiente gospel e faço agora algumas poucas observações sobre aquilo que compreendo sobre a graça de Jesus]
A graça de Jesus está…
Em prostitutas e travestis sendo samaritanas nas portas de hospitais e leprosários.
Em um catador de latas salvar um bebê abandonado numa lixeira e ele só desejar que o bebê seja bem cuidado.
Nas mãos de velhinhas que dividem o pão com mendigos ao sair das padarias.
Em dez ministros do STF reconhecerem que opção sexual não gera subcidadãos.
Em qualquer um poder imitá-lo, até o Rafinha Bastos.
Em abandonar a teologia em favor da vida.
No pai que recebe o filho saindo mais uma vez da reabilitação com mais esperança do que antes.
Não em Jesus verter água em vinho, mas sim sangue em água.
Em esquecerem-se de orar pelo necessitado porque gastaram muito tempo comendo, bebendo e compartilhando o abrigo com ele.
Por fim, a graça de Jesus é que ele me escolheu pra ser apenas um palhaço:http://t.co/MvTh2Vo.
Sim, a graça de Jesus é que ele ri das minhas palhaçadas porque ele já foi palhaço no circo de Roma e riu por último

segunda-feira, 25 de abril de 2011

No Que Cremos?

Neste feriadão de Tiradentes emendado com a páscoa de 2011 descobri que minha fé é muito diferente de 99,99% de muita gente que se diz ter a mesma crença que eu... e eu vou mais alem, tem muita gente que diz acreditar em certas coisas, porem não pensam com profundidade no que está baseado a vossa fé...

Um exemplo disto é a comparação de textos de um livro que para alguns é sagrado e para outros é apenas um livro de base para tirar lições de vida, lições de moral e experiências sobre determinados assuntos. Este livro que para mim é apenas um livro de base sobre lições e estórias de moral chamasse Bíblia.

Durante esse final de semana super prolongado, debati alguns assuntos com certas pessoas que me fizeram perceber que eu não me enquadro onde estou, no mundo evangélico, protestante. Pois a fé deles (dos evangélicos, protestantes e ate mesmo dos católicos) é diferente da minha. Eles acreditam que um Deus Pai amoroso,  misericordioso e Poderoso é capaz de sacrificar um filho para conseguir atingir um objetivo inicial de sua criação.

Eles aceitam a idéia de Deus mandar seu filho unigênito para poder salvar toda uma criação que toma as próprias decisões, decisões esta que Ele próprio deu o poder dos humanos a tomarem. Porem repudiam a idéia de que um pai chamado Abraão ( que seria o pai da fé desses cristãos) poderia ter sacrificado seu filho Isaac somente em obediência a esse mesmo Deus que sacrificou seu Filho. Qual a diferença entre esses dois pais?

Outro exemplo é um texto que está em uma parte da Bíblia que muitos dizem ser a parte que está baseada a fé deles, o Novo Testamento, que é a fé de um tempo da graça.

Esse texto descreve a punição de um casal, Ananias e Safira, que desobedeceram a uma regra da igreja e por punição, tiveram a morte. Mas se seu Deus é um Deus de Amor, Misericordioso e tem a graça como julgamento, por que diabos eles os matou?

A fé cristã é muito contraditória! Pois ao mesmo tempo em que eles criticam e repudiam alguns textos e atos da Bíblia principalmente descritos no Antigo Testamento, tem sua relação direta no Novo Testamento, o qual levam mais a serio, por ser onde a vida de Jesus Cristo estar retratada.

E existem textos que se ligam, porem são contraditórios e outros que contradizem outros textos... Isso só demonstra que a fé Cristã é baseada na contradição.

Hoje eu não consigo me ver dentro desta mesma fé, porem não consigo me ver fora deste circulo de Cristãos-Evangelicos onde a maior parte dos meus amigos se encontra. E onde eu começo a descobrir a minha verdadeira fé.

Um certo dia ouvi uma frase (não me lembro quem a falou nem o seu autor, mas o importante é a frase) “Fé não é ter a certeza cientifica ou racional de algo, e sim utilizar a razão com as duvidas que temos. Fé é igual a duvidas e crença é igual a certezas.”

Eu não sei se Jesus Cristo existiu ou não, não sei se realmente Existe um Deus. Porem creio que a Pessoa que a Bíblia retrata como Cristo (sendo alguém que existiu ou não) é um exemplo de como eu devo viver e me importar com meu proximo. E sei também que eu fazendo algumas orações/preces para um Deus chamado Javé me sinto confortado e pronto para semprte tentar de formas diferentes a ser um imitador deste Cristo.

Não tenho respostas para ninguém, nem mesmo para mim, e a cada dia, tenho mias duvidas. Porem, sinto que minha fé aumenta a cada dia.

Eu não busco respostas para minhas duvidas e sim respostas para como ser um Cristo para o mundo em que eu vivo